28 abril

Como pensa o elenco de MÓDIO?

Intérpretes-criadores falam sobre o processo criativo em voga

Por Paulo E. Azevedo

 

Rio de Janeiro, 28 de abril de 2016.

 

Em qualquer processo de criação acredito ser de extrema relevância a tomada de consciência daqueles que são os interlocutores da investigação. Sem isso, a estética não cumpre a amplitude de sua dimensão política e tende ao esvaziamento. Desse modo, conheceremos aqui um pouco das reflexões dos protagonistas do elenco de mÒDIO:

 

CCT 14.7.16-220“Ao longo desse tempo de pesquisa, consegui começar a sentir meu lugar de artista sendo exercido em sua potência mais profunda, podendo atingir públicos, mudar vidas ou ao menos fazer alguém pensar diferente. Analisando em proporções, compararia ao Efeito Borboleta, onde o bater das minhas asas de liberdade poderiam ventar na vida de alguém. Sinto meu corpo estimulado à pesquisa, e muito curioso graças à mistura de corpos, cabeças e linguagens que temos entre nós. Particularmente a minha luta foi e está sendo com o desequilíbrio. Ele provocou minhas lembranças técnicas mais entranhadas e me fez combater antigos conceitos e possivelmente ressignificá-los. Provar e me surpreender; procurar e me perder. Dentro da Cia me sinto única, uma peça que completa e se encaixa no meio de outras peças únicas. Sempre vivendo experiências que agregam sensações que futuramente se tornam conhecimento. Me sinto junto, parceria e amor à arte”. AMANDA GOUVÊIA

 

CCT 14.7.16-135“[...] a perda e recuperação do equilíbrio me traz a ideia do eixo, onde pode se dizer que ao se desequilibrar cada vez mais num intervalo menor de tempo me leva a crer que naquele momento a busca pelo eixo se torna maior. Sem desprezar a possibilidade do entre, em que cada desequilíbrio cria uma nova movimentação podendo trabalhar quedas e elevações, mas sempre na busca pelo eixo [...] Sentir-se provocado por uma mistura de bem estar, de querer estar mais e mais; indo fundo naquele processo e ao mesmo tempo lutando contra qualquer dificuldade (contra os limites do corpo). O mÓDIO não me leva só num lugar onde a raiva toma conta por si só. Há horas que me passa suavidade, percepção da escuta, do olhar, estar e não estar contido. Uma energia que vem de dentro até que ela não caiba mais no corpo e sai a partir de um movimento. Acho que se eu fosse me representar de alguma maneira, no mÓDIO eu poderia dizer que “sou mais um procurando entender os meus domínios”.” ZULU GREGÓRIO

 

CCT 14.7.16-260

“Até pouco tempo atrás me perguntava o que me fez passar em uma audição no meio de 70 pessoas. Atualmente olho para o lado, e em todo elenco só vejo monstros, no bom sentido da palavra. E não falo só dos que estão em cena, mas daqueles que produzem essa cena.  Até pouco tempo atrás me perguntava o que me fez capaz de estar com esse grupo. E na boa, já desisti dessa resposta. Durante todo o processo aceitei que aquilo era uma oportunidade de me conhecer, e digo com certeza que até hoje me surpreendo. Acredito que se eu tivesse uma resposta da razão de estar ali, talvez eu me conformasse com aquilo que era capaz. Mas foi o fato de não saber que me fez buscar sempre mais, e sei que graças a isso sou outro artista. Também não sei como serei amanhã, mas irei me aceitar, me descobrir e me surpreender. Esses são alguns benefícios de estar em um trabalho totalmente provocador [...] Eu me sinto provocado, e sinto vontade de provocar e questionar determinados padrões aos quais somos tão passíveis. Acredito que esta peça será um soco no estômago de algumas pessoas e também um interruptor para dar luz a questões que deixamos serem levadas pelo cotidiano. Espero que aqueles que forem atingidos pelo mÓDIO sintam-se desequilibrados a ponto de ver outros ângulos de tudo aquilo que nos cerca”. SALASAR JR.

 

CCT 14.7.16-229

“Na medida em que o processo foi tomando “forma” e se moldando no corpo dos intérpretes, a expectativa só foi aumentando [...] Sobre as principais provocações sentidas no corpo que dança, acredito que sejam  a potência… A estranheza [...] É um desafio para o próprio corpo, se superar, fazer maior, fazer reverberar mais, fazer que o último do banco sinta [...] Represento-me como um corpo que vem pra causar tensão, que gera potência e apreensão. Disforme.  Provocado por e provocando desequilíbrio”. PEDRO H. BRUM

 

CCT 14.7.16-188

“Puxa eu entrei depois de tudo já ter começado. Daí fica, ainda passando várias paradas na minha cabeça. A primeira vez que vi fiquei chocado, achei tudo muito foda e me identifiquei de cara. Eu curto muito esse tipo de trabalho e está com essa galera aqui é muito especial para mim. Eles vivem a dança e eu também sou assim”. JEAN CLEI

 

Na próxima entrevista, a professora Paula Lopes disseratrá sobre como é está nesse processo cumprindo dupla função de assistente de direção e intérprete.

Módio, em breve nos teatros abertos a recebe-lo!

 

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Escrito por admin .
28/abril/2016 às 06:04:48

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